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Abril 2025

ABRIL 2025

Ao escrever uma fantasia gótica, ou uma fantasia urbana, você herda, mesmo sem querer, uma bagagem pesada: são séculos de convenções, simbologias e imagens cristalizadas... O vampiro que deve ser sedutor e cruel. A banshee que deve ser uma mulher à beira da loucura trazendo presságios de morte. O fantasma que deve ser aterrorizante. O faminto que deve ser feio e adepto a morder. E, claro, do outro lado de cada um deles estão os humanos, sempre tãaaao belos (eu incluso, claro) e, portanto, bons.

Eu poderia só ter seguido essa cartilha, era o caminho mais fácil. Mas, nossa, isso me soava mais entediante que a própria morte...

Por que um monstro precisa ser mau? Só por causa da percepção de mundo sobre ele? Todo mundo tende a seguir essas velhas regras: a princesa é pura, o príncipe é charmoso e, de contraponto a eles, temos o mau que incorpora o feio ou o diferente. Mas nem a feiura e nem o ser diferente são falhas morais. E nem beleza e bondade são sinônimos.

Por isso, eu decidi dar aos meus monstros aquilo que sempre lhes pertenceu: a liberdade de escolha.

Um vampiro aristocrata que é ocasionalmente um mentor, mas que manipula como ninguém. Uma banshee que poderia te matar com um simples grito, mas assume o papel de uma mãe protetora com a ternura de quem sabe dar amor e bronca na mesma medida. Um fantasma que está mais interessado em fofocar do que te assustar. E a faminta que é tão bela quanto qualquer princesa e perdidamente apaixonada pelo herói. Ela ainda é adepta a comer cérebros, mas isso é só um detalhe.

Em resumo, eu decidi que um ser que a sociedade rotulou como "monstro" poderia ser tão humano quanto os humanos ao seu redor. Eu gostei da minha tentativa de desconstruir alguns tropos e clichês, de sair daquele caminho familiar. Foi uma sensação muito boa.

Meu elenco de personagens secundários estava formado. Conforme eles caminhavam por seu próprio mundo, eu decidi estudar os diferentes tipos de personalidades MBTI (você aprende uma coisinha ou outra quando decide se tornar um escritor) no intuito de adicionar uma camada de realismo às suas interações. Sim, eu criei estes personagens esperando agradar meus leitores, mas não posso deixar de admitir que eu me diverti muito nessa tentativa.

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