NEWSLETTER

Janeiro 2025

JANEIRO 2025

Há dois anos, ela se foi para sempre.

Por 42 anos nós fomos os melhores amigos um do outro. A gente costumava andar por Marseille até a Exopotamie, uma loja que já não existe mais, para comprar coisas de que não precisávamos. Com o tempo, esse rito de passear pelas lojas havia se tornado um momento de puro prazer e de troca; desfrutar da companhia um do outro e ver coisas bonitas. Não tínhamos dinheiro, então nos contentávamos em olhar.

Quando ela partiu, eu perdi mais do que uma amiga. Eu perdi minha lembrança. A lembrança do jovem que eu era e do homem que eu estava me tornando. Tudo partiu junto com ela. Sobrou apenas um vazio. Eu estava perdido, sem saber como lidar com toda aquela dor. Acabei buscando fazer o que eu sempre fazia: pegar toda a negatividade e transformar em algo positivo. Ao menos até onde me fosse possível. Busquei por maneiras de honrar a sua memória. Flores murcham e lágrimas não servem para nada; também não queria desenhar ou criar peças de barro. Optei por escrever. Um conto onde a morte não é a eterna campeã.

Foi assim que eu criei a Penélope, uma mulher de 50 anos, combativa e independente, vivendo em Londres no ano de 1953. Uma heroína que muito se assemelha a ela: obstinada, feminina e forte. Marie-Laure e Penélope são pessoas diferentes, mas, em muitos aspectos, as duas são incrivelmente parecidas.

← Voltar às newsletters Fevereiro 2025 →