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Fevereiro 2025

FEVEREIRO 2025

Escrever uma história. Está aí um desafio que eu ainda não tinha enfrentado. Eu já havia escrito pequenos contos antes, e até escrevi um livro de quase 900 páginas uma vez. O problema foi que eu tive a grande ideia de começar pelo início e depois ir direto pro final, esquecendo completamente de tudo o que vai no meio. Eu ainda tenho esse livro em uma de minhas caixas. Quem sabe um dia eu tiro a poeira dele e o finalizo.

Como eu havia dito, eu estava sofrendo, então mergulhei na história de Gabriel, um homem que eu imaginava existir fora do tempo, já morto, mas liminarmente vivo. E é claro que, como dizem, "nenhum homem é uma ilha". Então ele não poderia existir sozinho. Sua parceira adicionou-se naturalmente à minha lista de ingredientes. Mas conforme a história ia se desenvolvendo sozinha (eu trabalho com o princípio de que, muitas vezes, o autor simplesmente transmite uma história, que existe um poço mágico infindável de inspiração do qual ele extrai sem perceber), Penelope começou a tomar todo o espaço.

Uma das minhas melhores amigas tinha acabado de falecer. É claro que Penelope tomaria todo o espaço. Homens não são muito hábeis em lidar com o luto e a perda. Há exceções, é claro, mas num geral, nós não sabemos muito bem como lidar com nossas emoções, além de escondê-las e esperar que passem. Eu não aceitei a morte dela. Eu não conseguia lidar. Mesmo hoje, três anos depois, eu ainda sinto que essa verdade é difícil de engolir, uma realidade que parece menos real para mim do que o próprio caixão que eu toquei em seu funeral. Penelope me ajudou a trazê-la de volta à vida no papel, uma versão ainda mais forte, mais brilhante e mais maravilhosa do que a minha amiga.

Quanto mais eu escrevia, mais eu queria escrever. Escrever sobre essa versão dela. Olhando para trás, acho que foi nesse momento em que "A Última Aventura de Penelope" (sem acento, ela é inglesa!) ganhou vida.

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